terça-feira, março 27, 2018

Carro das vacas


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       Carros chadeiros: Carros das vacas de eixo de madeira, sendo as duas rodas de cambas solidárias a este. Voltear o carro carregado era muito difícil e evitava-se a todo o custo pois uma roda, como atrás mencionado, não é independente da outra. O eixo apoia directamente nas chedas solidárias ao toiço através do manto do carro, donde era puxado por uma junta de vacas apeaçadas à canga apoiada no tamboeiro e fixa por uma chavelha de engate. O apoio de eixo nas chedas é directamente no eixo que roda em contacto de madeira com madeira, recorrendo a um lubrificante à base de gordura animal, o unto que é transportado dentro de um recipiente feito de um corno. A ausência da película lubrificante e as cargas elevadas transportadas levava a que o carro em carga cantasse, chiando. Cada carro de vacas tinha o seu bilhete de identidade sonoro, conhecido de todos os vizinhos.

quinta-feira, março 15, 2018

Money




Há dois tipos de dinheiro.
O dinheiro vivo é aquele que é representado pelo sistema de notas e moedas físicas, e que usamos para fechar as transacções de venda e compra.
Este é de todos, mais de poucos que de muitos, mas passando de mão em mão, é no fim dinheiro público. Todos nós sentimos a necessidade e a sua facilidade de uso, assim como reconhecemos a sua utilidade.
Não passa de uma invenção humana.
Uma invenção milenar que hoje nos é apresentada como suja, não pelo seu manuseamento directo e sem regras de higiene, mas pela sua relação com a corrupção, tráfico ilegal, logo lucrativo, crime e guerra.
Será que é por ser de livre acesso?
Depois temos o dinheiro digital, …

quarta-feira, março 14, 2018

Unidades de venda e de compra



Uma pessoa que tenha baixo rendimento não terá qualquer valor para os bancos e intermediários dos pagamentos com unidades electrónicas de venda e de compra, o vulgo dinheiro de plástico. Na verdade, há uma intenção clara em empurrar as pessoas para esta situação que chamam “progresso”, como se disso se tratasse. A pretexto de destruir a “economia paralela”, e como os bandidos, dizem, que usam dinheiro vivo, acabando com este acabariam os bandidos. Impingem-nos cada coisa!
Enquanto isto vaia andando, os resistentes e os excêntricos, lentamente são encurralados pelo sistema. Os espaços onde se negoceia com dinheiro vivo cada vez são menos.

quarta-feira, março 07, 2018

Accionem a emergência


Accionem o botão de emergência!
Só assim se desligarão da corrente as múltiplas ventoinhas para onde se tem lançado tanta trampa. Com tanta sujidade colocada na frente da ventilação forçada, nada escapa de levar salpicos e mais salpicos excrementais.
O pedaço de pano que cobre os olhos da senhora da espada e da balança fede a bosta rara e estreme.


segunda-feira, março 05, 2018

Sobreviver é fundamental


Sobreviver é fundamental no tempo que vivemos.
Nunca como hoje o esforço de tantos gerou tão pouco retorno.
No entanto, sigamos o caminho que se faz caminhando.
Que se faça o que se pode, pois como alguém que eu estimo afirmou, quem faz o que pode faz o que deve.


terça-feira, fevereiro 27, 2018

Mexe-te!


Atinge o ponto da dormência. Os olhos ficam semicerrados e a vista como a ordenar o dormitar, esforçando o olhar como que uma névoa se formasse em seu redor. A saliva, ainda com o sabor do pedaço de pão comido pela manhã, escorre pelos cantos internos da boca, por entre as gengivas. Se pudesse, voltaria para a cama, aproveitando o embalo da fria chuva morrinha que se vê para além do alpendre, a sumir-se pelos pinhais adentro.
Mexe-te, pensou! Mexe-te que os gestos arrebitam qualquer um.


Chove


Chove como se os astros estivessem a pedir desculpa da pouca água que nos têm dado. Mais um trovão ressoa em estrondo como a marcar o ritmo das bátegas de água contra a vidraça. Ouve-se mais um ribombo, e após uns poucos segundos do clarão relampejante. O ritmo da chuva parece amainar, talvez efeito dos estrondos celestes. Os pingos cantam na vidraça da janela como se fossem pequenos grãos de areia lançados por uma mão invisível. Ao longe voltou-se a ouvir um trovão e a intensidade da chuva abranda, indo-se embora, para outros lados, a magra bênção.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Conversa fiada


A conversa já estará a meio?
Fala-se de tudo e de nada, de modo a que já se fala só por falar, com o som das palavras a entrarem e a saírem sem terem qualquer efeito nas coisas a fazer, e isto cansa, dá sonolência a meio da manhã.
Apetece fruir das coisas mais simples e gostosas, pois sente que deve existir gente que nem imagina a existência de tais situações e momentos.
E por aí foram com a conversa, com a ideia de voltarem um belo dia à felicidade.
É a meio da manhã e apetece-lhe soltar a rédea à sonolência, e fazer uma sesta matinal.
Afinal o nonsense invadiu-lhes, a todos, os pensamentos.
A conversa continua com o mesmo tom e monocórdica.


Trocar trabalho por salário



Trabalho de apito.
O apito tocou para a paragem da bucha, cigarro, mudar momentaneamente de postura corporal.
O martelador na sua função de martelar com a sua ferramenta o martelo, estava com o braço no ar, de martelo em riste pronto para o acto, baixou-o, estranhamente, com doçura e sensibilidade.
Trocar trabalho por salário.

Afinal o nonsense existe




A conversa estará a meio? Fala-se de tudo e de nada, de modo a que Já se fala por falar, com o som das palavras a entrarem e a saírem sem terem qualquer efeito nas coisas a fazer, e isto cansa, dá sonolência a meio da manhã.
Apetece fruir das coisas mais simples e gostosas, pois sente que deve existir gente que nem imagina a existência de coisas simples e gostosas.
E por aí forma, em busca de voltarem, um belo dia, à felicidade
É a meio da manhã e apetece-lhe soltar a rédea à sonolência, e fazer uma cesta matinal.
 Afinal o nonsense invadiu-lhe os pensamentos.

Trabalho de apito.




Trabalho de apito.
O apito tocou para a paragem da bucha, cigarro, mudar momentaneamente de postura corporal.
O martelador na sua função de martelar com a sua ferramenta o martelo, estava com o braço no ar, de martelo em riste pronto para o acto, baixou-o, estranhamente, com doçura e sensibilidade.


O contínuo nonsense!




A falta que faz um lápis e uma turquês!
O nonsense invade os pensamentos. Neste caso não é um estilo de humor, mas a quase realidade á sua volta, a cerca que sempre quis afastada.
Continua o nonsense!

terça-feira, fevereiro 06, 2018

A trampa, mais uma vez



Mais uma vez, a trampa.
Os chamados órgãos de comunicação social, em especial as TVs, estão uma autêntica vergonha. Sintoma das falências das linhas editoriais e das empresas que suportam tais ditos meios?
Estar à espera de uma coisa tipo espécie chamada conferência de imprensa do presidente do Sporting, que se apresentou como patética para seguidamente os canais televisivos alertarem as suas programações, a ponto de colocarem uma cambada, cambada é termo forte, a explicarem aos pategos o que o totó acabou de dizer, me trouxe à lembrança umas férias que um senhor interrompeu, com sacrifício elevado, para falar acerca dos Açores.
Oh TVs, oh chamados OCS, ide-vos catar para longe, de forma que o cheiro trazido pelo vento me poupe um pouco as narinas.

Apesar de não ter visto a peça, obra-prima do jornalismo, o dia seguinte dos OCS, redes sociais, etc., me têm bombardeado que, eu sinto-me incomodado, pois não vivo numa redoma estanque a esta trampa.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

A terra também apanha calos.



A terra também apanha calos.


O número de poças de lama e lavacheiros do caminho aumentam à medida que o caminho entra aldeia adentro. Pequenos charcos malcheirosos, resultado da busca contínua de fertilizante para o amanho da terra que nos enche a barriga e tapará de vez a boca, apesar da tentativa do vizinho da frente em tapar os buracos na estrada com cacos do alguidar que os gatos feitos em arame de ferro não conseguiram unir, restos de uns adobos e um monte de conchas de cricos (berbigões) depois de comidos com uma rodela de cebola e um finíssimo fio de azeite, que para ali foram chapados com o resto de sal reimoso a quando da limpeza da salgadeira. Caminha-se a passo com dificuldade por estas terras de Deus quando as águas do céu se abrem, mesmo com o sol a enxugar, que a terra batida e calcada sempre no mesmo sítio também apanha calos.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Confraria do porco no espeto

A população votante nunca foi nem será coerente. Um porco no espeto, uma bejeca na mão e uma palmada nas costas resolve tudo. Não sei se sabes que a confraria do porco no espeto tem os seus capítulos de acordo com o calendário eleitoral?

sexta-feira, janeiro 19, 2018

É tempo de semear as batatas de SantAmaro



Hoje, quando o Sol descia para as bandas do mar, pude observar o fio de Lua crescente a Ocidente depois de 3 dias escondida do outro lado que vai do Oriente, passando pelo Nadir, e voltando hoje a aparecer quase ao lado do Sol Poente. 
Depois do Sol ter passado 3 noites com a Lua, hoje fugia dela. Depois será a vez dele andar atrás dela, até se encontrarem a Oriente bem pela manhã, no final do seu minguante.

É tempo de semear as batatas de SantAmaro.

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Miguelismo

O problema é quando D. Miguel, em manobra de "agitprop", assume o nome do primo que assassinou, à velha maneira do falsete. Pensa que é a "psico" do costume: "Há que pôr os frades, por esse país fora, a bradar dos púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar, em cada regimento, um oficial que se preste a dizer aos soldados que a Pátria se encontra ameaçada pelos inimigos de dentro... Os estados emotivos, srs. governadores, dependem da música que se tem no ouvido". "E, agora, meus senhores, ao trabalho!".

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Espera no caminho que dá ao Natal.
Uma espera de tempo sem que nada se acrescente ao turbilhão das coisas.
Que passe o tempo de espera que une e resolve os assuntos, que têm que ser resolvidos pelo próprio tempo, no vazio da espera. 
Não mexer na merda já é bom para o ambiente.

Este é o tempo metáfora que hoje vivemos. 
Há que ter a praça moralista sempre activa e entretida com a sua central e inquisitorial fogueira bem ateada.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Ordinário! Marche!
Esquerda, direita, 1, 2.
Defendo, isto é, trabalho, a minha Liberdade e a dos que me rodeiam, e à medida que me referencio à verticalidade como ser pensante e me nivelo ao humano que sou, cada vez menos aprecio os rótulos que por aí se colam a esmo.

Não os aprecio, como os rejeito.

terça-feira, outubro 17, 2017

Agradecimento

Agradecimento
Venho agradecer a todos os meus amigos a Força que me ofereceram.
Foram momentos terríficos que vivi com a minha família, unido aos meus amigos vizinhos, no combate pela defesa do que é nosso.
Aos incansáveis rapazes das cisternas com água e seus tractores, aos vigilantes, aos nossos valentes e fortes jovens, homens e mulheres, a minha imensa gratidão.
Com a sorte do vento e a vinda da chuva, conseguimos.

Um abraço a todos.

terça-feira, outubro 10, 2017

De Espanha nem bom vento nem bom casamento.

De Espanha nem bom vento nem bom casamento. 
O que está a acontecer com Catalunha e Madrid não me agrada. 
Não tenho conhecimentos suficientes acerca da questão Catalã para fundamentar uma opinião válida. 
Não tomo partido, mas que a questão existe, existe, e que o que está a acontecer não é bom. 
Nada será como até aqui, disso temos a certeza.
Vamos aguardar pelo bom senso, que é uma coisa que abunda, dá para todos, pois cada um toma a quantidade que quer.



quinta-feira, setembro 21, 2017

É o tempo do peniqueiro aparecer nas redes sociais




Este é o tempo do peniqueiro aparecer nas redes sociais, só porque o chefe vai a votos, só agora publica as fotos que o chefe manda.as fotos que o chefe manda.


O peniqueiro nunca publica as suas opiniões.
O peniqueiro só tem uma opinião: a do chefe,
O peniqueiro, só lê as opiniões dos outros.
O peniqueiro é uma espécie resistente apesar de amorfa e sem espinha.
O peniqueiro constipa-se só porque o chefe espirra.
Tendo sempre à mão o utensílio que lhe dá o nome, corre desalmadamente para o chefe mal este aproxime, por qualquer motivo, a mão da verguilha.
O peniqueiro é mais perfeccionista, mais pontual e mais alinhado que o chefe.
O peniqueiro faz tudo pelo chefe, e até lhe ofertaria o dito se o chefe o pedisse.
O peniqueiro é elemento de uma praga maior que os chatos, apesar de eu não saber até ao momento o que é isso, mas assim deverá ser.
O peniqueiro é enxotado pelo chefe, mas se houver mudança de chefe, o peniqueiro será o primeiro a pendurar-se no seu saco, um autêntico e exímio “ puxa saco” para desespero do chefe e sobrevivência do peniqueiro.
O peniqueiro vive e come directa ou indirectamente do que lhe colocam na gamela, existindo peniqueiros por todo lado mais do que se possa imaginar. Uma praga!


segunda-feira, setembro 18, 2017

Há cheiros na memória


Um cheiro único a salitre mareiro, misturado com o do breu das tábuas ressequidas pelo sol, paira entre os palheiros, nas passagens entre eles e na areia varrida pelo vento alisada à espera das primeiras marcas de pisadas de pés descalços. 

quarta-feira, setembro 13, 2017

Aranhiços


   São uns enormes aranhiços, negros, saídos do mar, a caminho de terra, os palheiros de madeira empoleirados em estacas de pau, que se vêem a andar por cima da grande duna, aquela que cerca o mar de entrar terra adentro.

terça-feira, setembro 12, 2017

O Tempo não é linear.


Ontem, teimosamente na noite dos meus pinhais, apesar da teimosa poluição luminosa que nos é imposta, brilhava do Norte a estrela que é ponto central do eixo da Esfera. A cabeça da Ursa Maior estava nas sete horas e Cassiopeia nas duas horas do relógio celeste. O Tempo dá estas rodas á volta, a indicar o fim do ciclo e preparar o balanço de meia volta para se renovar. É o tempo de aguardar as mais belas luzes de Oríon, mais tarde a estrela Sírius, agora olhando para Sul.
Para mim, o calendário muda de página no equinócio de Setembro.
É que já anoitece de manhã.



segunda-feira, setembro 04, 2017

O caminho é sempre uma construção



O caminho é sempre uma construção das pessoas que o percorreram e percorrem. Nesta memória temos uma construção viva e alterável no tempo, olhada do lado do nosso umbigo e todos julgam estar do lado certo da história, havendo quem queira verdades absolutas e negue os pontos de vista de os outros.
Hoje as ditaduras estão aí à espreita e usam a subtileza das tecnologias para se irem impondo, exultando medos e culpas várias.
Estejamos atentos e, já agora, às vezes a tintos.
Saúde!

Bom dia e boa semana.

terça-feira, agosto 29, 2017

O poder é o Poder.



Para mudar o poder, mudar o actor não bastará.
Esta será a primeira condição mas não suficiente. De um modo geral, para que nada mude bastará mudar os cabeça de cartaz, os actores de primeira linha.

Não peças para mudar a que detém o poder. Só um ingénuo o faz, e só um crente acreditará que o que está investido nele o fará. O investido dirá ao ingénuo, se for caso disso, que agora é que vai ser a mudança.

segunda-feira, agosto 28, 2017

Os do costume



À taberna, sem qualquer combinação prévia, chegaram há pouco e quase todos  ao mesmo tempo, talvez devido aos dias estarem cada vez mais pequenos. Talvez! Vieram os costumeiros com a gasta desculpa da conversa para combinar as vidas, dizem eles, para os copitos dizem outros que não frequentam o local com tanta assiduidade, talvez por não terem a necessidade do aditivo líquido, dizem estes, talvez nada tenham a achegar às conversas, ou então pouco ferro que lhes tilinte nos bolsos ou nas patronas, dizem aqueloutros em surdina. Sim, porque a magreza da coirata nunca é para aqui chamada, antes pelo contrário, e tem acontecido que há alguém que nunca se chega à frente neste local de culto e use sempre a mesma nota na carteira, a tal folhinha que não lhe convém destrocar naquele momento.


Escrever direito por linhas tortas.






O importante é a imagem do espelho, metáfora dos tempos que vivemos, na busca do problema que sirva à solução desejada.
Vivemos um mundo de espelhos onde a realidade é distorcida e manipulada, desde a economia de casino, passando pela manipulação da democracia, sondagens, mídia, guerras e doenças, chegando aos valores tecnicamente falsos, na busca do problema certo para que a solução desejada seja posta em prática.

sexta-feira, agosto 25, 2017

Um risco traço branco de borda escura



A mulher baldeia o estrume ainda vivo retirado pela manhã cedinho do curral das vacas misturando-o com as agulhas e mato, um já podre de ter passado todo o Inverno acamado na estrumeira do pátio, e outro ainda em monte, ali descarregado de poucos dias, usando alternadamente o engaço e a forquilha. A merda viva fede ainda mais quando os seus pés, sempre nus donde se pode ver nos calcanhares as negras e encardidas gretas, a espezinha e esborracha. O surro vê-se em todo o comprimento nas pernas visíveis até onde deixa ver a negra saia ligeiramente subida e cintada pelo meio das ancas. Debaixo do lenço preto, atado com nó acima da cabeça, nota-se o desgrenhado cabelo negro. O suor escorre-lhe da fronte e por baixo das orelhas até ao pescoço, arredando a sujidade depositada na pele, e deixando um risco traço branco de borda escura.

Cada qual sabe o nome da terra onde vive, e esta não será excepção. Só que ninguém daqui sabe quem lhe deu tal identificação, nem o porquê. Sempre foi assim, dizem, sempre lhe chamaram pelo nome que ela sempre teve, pois já as avós das avós contavam que os nomes das terras já eram o que são desde que o mundo é mundo, e fazer perguntas acerca disso e de outras coisas referentes ao canto que cada um tem no mundo, quem foi o padrinho ou enregador, nem será de bom-tom. Não se vai questionar isto a uma pessoa que sabe e sempre o soube desde que tem memória de gente.

terça-feira, agosto 22, 2017

As moscas que sobreviveram às geadas do Inverno



As galinhas entram e saem do pátio da casa onde a estrumeira fermenta as agulhas acamadas com bosta dos currais das vacas e da bezerra. O monturo que está à saída da única porta da cozinha, e que dá para o pátio, quer entrar pela casa adentro, ainda mostra o camareiro emborcado sobre a recolha dos dejectos nocturnos. As agulhas finas, caruma apanhada do pinhal novo, em monte ali ao lado a um canto, ainda não foram espalhadas como última camada sobre o monturo. As crianças que brincam por perto ainda irão pisar o presente da noite e apezinhar com bosta o chão de terra batida da cozinha. O sol do meio da manhã incide sobre o fumegar queimante do esterco, iluminado o bailado das ainda poucas moscas que sobreviveram às geadas do Inverno.

segunda-feira, agosto 21, 2017

Trabalhos de fundição




A agricultura que foi desenvolvida inicialmente por mulheres. 
Junto com o uso da tecnologia do metal,este mais usado para a caça, a humanidade adquiriu outros conhecimentos associados à vivência dos dias com a compreensão dos ciclos naturais, e este trouxe o rápido desenvolvimento humano na partilha em grupo dos benefícios a partir dos bens resultantes desses novos processo tecnológicos, consigo uma alteração gradual nas mentalidades, reorganização social e alteração nas relações de poder.
Com as tecnologias usadas pela humanidade vieram associados novos modos de vida, novas organizações de sociedade e filosofias associadas.
Este tem sido o nosso caminho.

A quarta velocidade




A quarta revolução está em curso, estamos no meio dela, no olho do ciclone. É uma realidade vivida e sentida, com as tecnologias da chamada internet integrada na produção, com a comunicação dos equipamentos entre si, e o sistema a ajustar-se e a reorganizar-se em tempo real em função da procura instantânea.  
Assim, resumindo as etapas passadas em função das tecnologias utilizadas temos. 
1.0. Mecanização, energia hidráulica e energia a vapor. 
2.0. Produção em massa, linha de montagem e electricidade. 
3.0. Electrónica, computadores e automação. 
4.0. Cyber sistemas. 
Sabemos, hoje, porque sentimos, vemos, ouvimos e lemos, que cada vez mais há uma concentração de riqueza e poder em cada vez num menor número de pessoas. Que o que está a comandar esses mercados financeiros são computadores com recurso a algoritmos, cujo objectivo é a maximização do lucro, custe o que custar, e sentimos que as pessoas não estão nessas equações. Na Industria 4.0 temos robots, sistemas automatizados que comunicam entre si e com outros centros de produção, à mistura com operadores, e isto tudo integrado. Esta é a realidade actual e o caminho que o colectivo trilhou aqui nos trouxe à tal fábrica magra. 
É que está a acontecer. É o tempo que vivemos!

terça-feira, agosto 01, 2017

Olhares de fora da vedação


As estas retorcidas histórias dos olhares de fora da vedação vigente, mais amplos de horizonte, mais libertários, subversivos e até às vezes quase como hereges, são mais interessantes que as oficialmente consensualizadas.

quinta-feira, julho 27, 2017

As benesses resultantes do uso das tecnologias pelo indivíduo



As benesses resultantes do uso das tecnologias pelo indivíduo e grupos de indivíduos não implicou, nem tem implicado, a absoluta necessidade dos utilizadores finais estejam municiados dos conhecimentos básicos acerca destas. O uso de um smartphone não requer qualquer conhecimento tecnológico especial, tal qual o uso de um machado não requer qualquer conhecimento do tratamento térmico ou da obtenção do aço deste utensilio. 
Basta saber dar-lhe a utilização para que foi concebida tal ferramenta.

segunda-feira, julho 24, 2017

Já não há músicos como os de antigamente


Sentado no cimo do pequeno tripé, o Sarradão lá vai debitando o seu vasto e único repertório que para os ouvintes e usufruidores dos sons das palhetas não importava o nome. A música que parece sempre a mesma  sanfona, canta para dentro “ferrom” e para fora “fom”, com a marcação teimosa do bater do seu enorme pé agora amortecido pela manta de trapos, no chiar interior da geringonça a fazer música, os sons do ar a sair por entre as pregas do fole que mais parecem bufas em contrário dos baixos que saem do lado esquerdo que não conseguem abafar uns peidos cagados por ele que, como é seu hábito, nega ser mãe de tais criaturas gasosas, mas os catraios sempre atentos para a malandrice, saem a rir e a anunciar aos quatro ventos a paternidade dos traques.

Os consensos, essas criações artificiais



   Ao longo dos tempos foram criados consensos à volta das histórias, onde nada se questiona, e assim estas foram sendo assimiladas como verdades e às vezes até tomadas como verdades absolutas. O caminho das histórias tomado como linear vai de encontro ao acordado com os sectores dominantes de cada época, claro contrapondo-se ao torcido trajecto em espiral dos outros olhares fora das peias dos interesses momentâneos. 

sexta-feira, julho 21, 2017

Até parece que já vi este filme


   Na voracidade do tempo que vivemos tudo nos é apresentado como linear, como se tudo corresse em linha recta do passado para o futuro, e assim nos é mostrado o tempo passado como uma linha recta que nos trouxe até aqui. Só que o tempo passado não é assim tão recto, mas antes um pouco mais espiralado, dando voltas estranhas não circulares, nunca se repetindo apesar das muitas semelhanças, e daí ouvir-se dizer que a história se repete, ou que “até parece que já vi este filme”. 

quinta-feira, julho 06, 2017

A beleza de um gatafunho!

A beleza de um gatafunho!

Sinto, neste momento, uma enorme vontade de fugir ao stress e escrevo isto com caneta de aparo só pelo gesto que acalma no olhar do deslizar deste  ao deixar tinta azul sobre o papel.
Eu uso caneta de aparo no caderno de notas que transporto comigo. É mania que carrego e que cada vez mais me vinca. Se contasse isto a alguns, que não a vós que estais a ler isto, ouviria deles que eu estava maluco, logo agora que até ando em busca de cartuchos de tinta de cor mais acastanhada, daquela que dá aspecto de ter sido efectuada há muito tempo. É só para o sentir do olhar da construção de gatafunhos deixados sobre uma página de caderno.
A beleza de um gatafunho!
Mas desde quando é que um gatafunho é belo?

Há algo de narcísico na escrita, só pode!

terça-feira, junho 27, 2017

As tecnologias têm uma importância extrema na vida da nossa espécie.


Na evolução social do bípede de polegar oponente, que somos nós, poderíamos classificar as etapas passadas em função das tecnologias utilizadas.
As tecnologias têm uma importância extrema na vida da nossa espécie. 

O polegar oponente




Desde que a evolução nos trouxe um dos dedos livre praticamente na frente dos outros da mesma mão, tudo melhorou e tudo se passou a ter na ponta dos dedos, a zona mais afastada em termos de ligação nervosas ao cérebro, e assim começámos, alguns, a ter tempo disponível para teorizar sobre a nossa existência.

ideias movediças


Quando entramos em terreno movediço qualquer movimento mais abrupto pode-nos levar a ficar mais atascados, pelo que ultrapassar esse obstáculo se torna ainda mais difícil.
À nossa volta há o ruído constante que polui a informação que chega até nós, baralhando-nos nas decisões e ocultando-nos os caminhos a escolher nestes momentos de mudança supersónica da qual é notória a dificuldade geral das pessoas em a entender.
Há turbilhão de ideias nas nossas mundividências.

Tal qual a perda de contacto visual do chão que pisamos nos pode levar ao desequilíbrio, a busca dos referenciais humanistas universais é o chão que nos segura.

sexta-feira, junho 23, 2017

S. João da Praia da Tocha.



S. João da Praia da Tocha.
O jazo deste ano é dos bons. É de bons toques e tem modas daquelas que a gente gosta, cantigas que até se podem ouvir no rádio, e vão a tocar até ao banho santo. Já estou a ver como vai ser a festa no largo onde rodeiam os automóveis. Um pavilhão enfeitado à volta de um pau alto espetado no chão, com flores de papel de cores variadas, garridas, das mais lindas e vistosas, atadas com o fio de atar chouriças aos cordéis que vêm do cimo do tronco central aos paus que estão em redor, à volta do mastro. O mastro terá que levar no cimo duas ripas em cruz, enfeitadas, onde serão dependurados dois candeeiros a petróleo novos, a estriar. Do lado do Norte vai ficar o coreto do jazo. Se o fizerem com no ano passado, o chão será em tabuado de costaneiros da serração nova do Carvalho, e com uma escada ainda mais bem-feita que a do palheiro do Gomes Rico para que os músicos por ela subam ao palanque. Tudo enfeitado com flores de papel e das outras, que eles merecem. De fatos claros, lindos e bem passados, com uma tira vermelha no bolso do peito e ao longo das costuras das calças, logo aquele cantor que é um homem bem feito, todo penteado e de dentes brancos, quando o saxofone pára de explicar a cantiga, ele na frente do coreto e cantará de viva voz aquela cantiga com palavras lindas de morrer que só ele sabe dizer.

quinta-feira, junho 22, 2017

Os novos púlpitos

                                                                                                                                                                Há demasiadas pessoas que têm certeza de que o que lêem, ouvem e vêem é o suficiente, e corresponde à realidade. 
Imaginam que tudo pode ser compreendido sem esforço, e não admitem que podem estar a ser manipulados. Ouvem, lêem e repassam assuntos nas redes sociais sem questionar. Não vêem a pressão constante das TVs que anunciam catástrofes. As coisas boas são desprezadas e os pequenos deslizes são apresentados como enormíssimos escândalos. Para elas, as Tvs acabam por ser os novos púlpitos de onde se prega a verdade.




segunda-feira, maio 22, 2017

Palheiros da Tocha.



Palheiros da Tocha.
Quando os palheiros passaram a ser usados para férias, quando a pesca, a arte da xávega, desapareceu, a mudança começou. Nos finais de 60 e durante os anos 70, durante a minha meninice e juventude, os palheiros desapareceram, pois novos desafios os esperavam.

sexta-feira, maio 05, 2017


A memória tem sempre um espaço associado. Por isso se começa sempre por um sitio, um lugar geométrico, definido num espaço que a nossa mente reconhece como seu. Depois vem a recordação.

terça-feira, maio 02, 2017

Qual é o lado certo?



Ninguém é efectivamente isento, muito menos os órgãos de comunicação. Estes têm compromissos diversos, defendem interesses vários e corporativos, e muitos até de forma imoral e sem ética.
Independentemente do nosso posicionamento ideológico, nós devemos perguntar a quem serve a notícia, dado que a isenção na busca e na apresentação desta há uma relação que prostitui a isenção. No entanto esteja atento a si mesmo, pois o nosso lado é sempre o lado certo, o que é válido para qualquer outra pessoa.

Apesar de discordarmos, olhando para o nosso umbigo, todos nós julgamos estar  do lado certo da história. 
Eu fujo das verdades absolutas, essas mesmo que são de um modo geral suportadas em invenções.
É uma perda de tempo discutir com quem não está disposto a ouvir.

quinta-feira, abril 27, 2017

O tempo, essa construção.





O tempo, essa construção.
Tomámos um intervalo de tempo, isto é uma volta da Terra em volta do Sol, uma volta da Lua em torno da Terra, uma volta da Terra sobre si própria, e dividimos isto tudo em segmentos. Em seguida demos a estes rótulos, e assim fomos vivendo as nossas vidas como se esta construção fosse a única e como se para tal estivéssemos pré programados.

Depois construímos relógios que nos trouxeram a confusão da antiga e compartilhada construção, e assim tornámo-nos escravos do tempo.








quarta-feira, abril 26, 2017




Demonstrar a uma pessoa que acredita numa verdade absoluta que esta está baseada numa invenção é uma violência, pois todo o seu edifício de vida se desmorona sem que tenha construído um outro alternativo.

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Pessoas inteligentes

                           PESSOAS INTELIGENTES

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas divertiam-se com
o idiota da aldeia.
Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e
esmolas.
Diariamente eles chamavam "o idiota" no bar onde se reuniam e
ofereciam-lhe a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra
menor, de 2.000 REIS.
Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos
para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não
havia percebido que a moeda maior valia menos.
'Eu sei' - respondeu o tolo - 'Ela vale cinco vezes menos, mas no dia em
que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e nunca mais irei ganhar a
minha moeda'.
***
Podem tirar-se várias conclusões dessa pequena narrativa.

A primeira:
Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda:
Quem eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira:
Se você for ganancioso, acaba por estragar a sua fonte de rendimento.
A quarta e mais interessante é:
A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma
boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente
somos.

Moral da História...
' O maior prazer de uma pessoa inteligente é fazer-se de idiota, diante de
um idiota que julga ser inteligente'.


(recebido por email)

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Populismo qb



As Pós-verdades de Trump, Brexit e outras tramputinissesEstejamos atentos, sempre atentos às tramputinisses que pairam neste tempos que vivemos,Donald Trump foi eleito segundo as regras em vigor na terra dele e, como candidato, só assumiu o compromisso com o cativar de votos para uma solução de um problema que também apresentou e que os eleitores alvo reconheceram, independentemente dessa solução ser ou não real. Passado umas semanas de tomar posse, ele já está a desempenhar o papel a que se propôs fazer, e deve estar a gozar com a reacção aos decretos que tem vomitado.Depois do Brexit, temos Trump. Teremos a France da senhora Le Pen e outros populistas pela Europa? É que nunca se falou tanto como agora em ideologia do populismo. Apetece fazer uma pergunta carregada de heresia democrática. Será que as eleições directas, hoje, são um perigo para a própria democracia e destinos a tomar pelas sociedades democráticas?Tudo aponta que a manipulação é contínua e se estende após o acto de votar, e que até parece que as pessoas votam mas não era bem aquilo que queriam. Será que este tempo que alguém classificou como era da pós-verdade, esta tem pernas para se ir sobrepondo aos cidadãos íntegros e verticais?Estejamos atentos, não dando um papel em branco a qualquer idiota que se candidate, e como remédio preventivo contra o cheque em branco bebamos um copo de tinto pela Democracia e pela Liberdade.



Caps Lock e reticências



Há comunicações que não me despertam o interesse em as ler.
São as que estão escritas em Caps Lock em toda a sua extensão, em que sinto estarem a berrar comigo, e eu não gosto de berros, e as que recorrem ao abuso de reticências pelo meio das frases, como que existisse uma suspensão ou interrupção do pensamento, hesitações e ideias incompletas.
São coisas minhas, só isso.



sexta-feira, janeiro 20, 2017

Vamos ajudar à TIA


Na economia 4.0 que vivemos já estão em implementação e em funcionamento sistemas de comunicação directa com equipamentos, tratamento de dados em tempo real com ligações ao cliente, onde tudo é registado, sistemas automatizados que comunicam entre si, centros de produção e fabrico integrando robots à mistura com operadores. Isto é o temos e vemos, e mais veremos se houver vida e saúde, como se costuma dizer.
Esta realidade é o caminho que  hoje trilhamos, e a tal “fábrica/indústria magra” está aí e vai acontecendo a grande velocidade.
Novas questões se estão a colocar relativamente às pessoas, à partilha do trabalho e ao sistema social.
Vamos prensar o assunto.
Pensar já é uma boa alternativa à TINA (There Is No Alternative), pensamento do tipo único que se sustenta a si mesmo, e que tem sido imposto com sucesso pelo poder dominante e ultimamente em catequeses até à náusea com recurso aos fazedores de opinião. O mesmo se aplica para o sistema financeiro que serve o todo-poderoso e único deus Mercado.

Vamos ajudar à TIA (There Is an Alternative).

quinta-feira, janeiro 19, 2017

É urgente pensar, e pensar é mudar de rumo.

Sabemos nós, porque vemos, ouvimos e lemos, que cada vez mais há uma concentração de riqueza/poder em um número cada vez menor de pessoas, e o que está a comandar os mercados financeiros, esses mesmos que se podem irritar como afirmou um algarvio, são computadores que utilizam algoritmos cada vez mais elaborados, e cujo objectivo é maximizar o lucro.

Só que nos indica que as pessoas não estão contempladas na equação. É urgente pensar, e pensar é mudar de rumo.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

É a realidade, ó estúpido!

É a realidade, ó estúpido!


Os números debitados pelos algoritmos têm os seus seguidores fieis, como de religião se tratasse, uma reverência especial, havendo pessoas que seguem fiel e religiosamente toda esta ficção e acabam por julgar a realidade,  como um paradoxo.


quinta-feira, janeiro 12, 2017

Parem para pensar, por favor!




A vida não deveria ser só trabalhar, ganhar dinheiro, hipotecar-se, consumir e morrer.
Nascemos num mundo maravilhoso e com tantos lugar diferentes com pessoas únicas.

Parem para pensar, por favor!

quarta-feira, janeiro 11, 2017

De mentira a verdade absoluta


A Mentira nua dá a volta ao mundo antes da Verdade ter tempo de se vestir, e depois para alguns é transformada em verdade absoluta.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Idalécio Cação


….”Ler é sempre uma coisa de respeito, e tem de haver muito silêncio para um homem não se perder na leitura e dar o tom mais conveniente às notícias. Ler é como apanhar fruta numa árvore, colhê-la, e dá-la a comer a quem não pode chegar lá acima. Agente recebe as palavras ouvidas, sempre com as orelhas guiadas, não vá perder-se nem um grãozinho da leitura, nem o seu tom…….”
[Idalécio Cação]

segunda-feira, janeiro 02, 2017

Bom dia e bom ano!

Bom dia e bom ano!

Este ano eu não noto grandes diferenças do ano passado, e não espero nada de especial além de viver.

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Natal



Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

[Fernando Pessoa]